Tania Zagury - Escola sem conflito: projeto de parceria com as famílias


Tania ZaguryTania Zagury: mestre em Educação, filósofa, pesquisadora, com 24 livros publicados no Brasil e no exterior acaba de receber o Prêmio Alice da Silva Lima, outorgado pela diretoria da União Brasileira de Escritores (UBE), referente à obra "O macaquinho da perna quebrada" – livro infantil de sua coleção ecológica.

Profª Tânia Zagury é um exemplo de profissional que luta por uma educação de qualidade e defende a importância da escola em parceria com a família. Foi pioneira na discussão do papel dos limites na educação e tornou-se referência para pais e professores. O livro de sua autoria "Limites sem Trauma" é um dos títulos mais vendidos no Brasil.

Tânia proferiu a palestra de abertura do XVI Congresso de Educação e Cidadania, realizado em setembro do presente ano em Maringá e promovido pelo SINEPE no PR. O evento que reuniu mil profissionais de educação também contou com a participação da Profª Paty Fonte – diretora pedagógica do nosso site – que reuniu algumas das principais falas da mestra. Confira:

POSTURA DE PAIS E PROFESSORES

Não é que a escola e a família devem educar exatamente igual, até porque as funções são diferentes. Ambas são congruentes, paralelas e têm seu valor fundamental, mas são complementares. A família tem uma função socializadora básica, é a primeira instância socializadora da criança; e a escola completa esse papel. No momento, temos vivido muitos casos de ausência da família, pela desestruturação decorrente da vida moderna, pelo fato de que hoje pai e mãe trabalham fora o dia todo e têm menos tempo para conviver com os filhos. Por isso, a escola assume uma importância ainda maior atualmente, em especial quando os pais abrem mão do seu papel na construção de limites.

LIMITES

Tania ZagurySobre a questão do limite, eu comecei a abordar o assunto no início dos anos 90, uma época em que a psicanálise se popularizava, e se defendia tanto a liberdade, que era comum a ideia de que qualquer limite imposto à criança causaria problemas emocionais e traumas. Hoje, temos um grande número de jovens que se marginaliza ou que não possui concentração para aprender, e isso tem uma ligação direta com a falta de limites.

Sem limites, uma criança não consegue nem parar para ouvir o que o professor diz. É preciso que os pais reencontrem o seu papel de geradores da ética, de formadores primários da cidadania. O professor, paralelamente, como sempre foi, vai reforçar essa cidadania, ensinando a se comportar e a se respeitar. As regras não causam nenhum mal à criança, muito pelo contrário – a não ser que sejam regras impostas sem razão nem motivo.

PARTICIPAÇÃO DA FAMILIA NA ESCOLA

Na medida em que percebem que os pais acompanham o trabalho da escola e, além disso, supervisionam e acompanham seus estudos, o cumprimento de tarefas e também seus progressos e dificuldades, os filhos começam a compreender a importância que o saber – e a escola é o veículo primeiro desse saber - tem para a vida moderna, o que é essencial.

A participação não obrigatoriamente demanda muito tempo. Deve ser antes de tudo qualitativa, isto é, não é preciso ir à escola todos os dias, assumir funções em comissões ou algo assim; quem puder e quiser, pode fazê-lo, porém mais importante é deixar claro para os filhos que acreditam no trabalho da escola, que estudar não é opção, é obrigação e que os professores têm o apoio da família. Além disso, a supervisão às tarefas e a atenção que dão aos comunicados que o colégio envia, explicitam concretamente às crianças a dimensão que a família dá aos estudos. Atualmente o que a escola mais necessita ter é o apoio da família e da sociedade para poder fazer o seu trabalho de forma eficiente.

A convivência sem conflitos entre família e escola só é possível se houver uma relação mútua de confiança; quer dizer, nem os pais devem criticar sem conhecer realmente o que está ocorrendo, nem a escola pode tratar os pais como "intrusos" ou considerar sua presença incômoda; ouvir com atenção o que a família reporta é fundamental; aliás ouvir e considerar, não apenas ouvir. É superimportante levar em conta relatos, reivindicações e sugestões; se os pais sentem que não estão falando com as paredes, tendem, cada vez mais, a confiar; e vice-versa. É preciso, no entanto, que a equipe técnico-pedagógica ouça, analise e dê um retorno. Mesmo quando não se aceita uma sugestão, se isso é explicitado de forma técnica mas compreensível, costuma funcionar bem. A adesão dos pais é essencial e começa no momento em que se sentem aceitos e respeitados.

 


Para saber mais sobre o trabalho da Profª Tânia Zagury acesse:
http://www.taniazagury.com.br/


 

 

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