A escola reavaliando seus projetos


Izabel Sadalla Grispino

Reavaliando projetosA escola sabe que uma de suas principais funções é formar. Formar o aluno, especialmente, para os valores essenciais da vida. Formar o aluno para ensiná-lo a aprender a aprender, não perder de vista a sociedade do conhecimento em que vivemos. Formar para informar.

No processo educacional, a escola está sempre se avaliando, avaliando os resultados de seu procedimento. Ao lado da ministração das matérias tradicionais, aspectos da escola do passado, que foram por ela relegados, começam a bater às portas da nova escola, como a formação das meninas para a responsabilidade do lar.

Numa sociedade que estimula a inserção ferrenha da mulher no mercado de trabalho, rotulando-as de “livres e modernas”, a carreira profissional sacrificou a transmissão de valores e o amor familiar, em nome do conforto material. O resultado são crianças desassistidas, ausentes do companheirismo materno, tornando-se neuróticas, carentes, enfastiadas e imbecilizadas pelas horas diante da TV, do computador, dos jogos eletrônicos, desvalando para o caminho das drogas, da violência. Muitas escolas entenderam a necessidade de educar, de conscientizar sobre a volta da mãe para a casa.

Essas escolas, querendo salvar a juventude, foram além da preocupação primeira, que são seus alunos. Salvá-los, educando e orientando seus pais, de modo específico, suas mães. Sentiram a importância, que pesa em suas costas de educadoras, de resgatar princípios familiares, relegados a planos inferiores no dia de hoje, trazendo consequências desastrosas. Entenderam essas escolas que estariam ajudando a integrar melhor seus alunos, no processo de ensino-aprendizagem, se levassem as mães a se apropriarem novamente de seu papel maternal e de se sentirem orgulhosas de estar  em casa e criar uma família saudável, ajustada. Seus objetivos seriam analisados, inclusive, pelos próprios alunos.

Um outro aspecto da escola do passado e que vem sendo abraçado por muitas escolas é ensinar a criança a manusear a linha e a agulha. A escola da década de 40 e 50 ensinava as alunas, no 1.º grau, então curso ginasial, a bordar – era famoso o ponto de cruz – a remendar, a fazer barra, pregar botões, enfim a adquirir alguma habilidade necessária  de costura para o dia-a-dia da família.

Algumas escolas de Educação Infantil, já a partir de crianças de 5 anos, estimulam o gosto pela costura. Ao lado prático da atividade, ensinam a fazer roupa para bonecas. As crianças cortam as roupinhas com a ajuda das professoras, costuram e fazem colagens, como de lantejoulas, para decorar os tecidos. Várias atividades são pensadas no sentido da mulher reinterpretar seu papel no seio familiar.

Um aspecto muito atual, que chama a atenção dos pais e deve ser revisto pelas escolas, é o uso indiscriminado da internet. Sem a vigilância dos pais e sem o devido controle dos professores  no uso do computador, os estudantes imprimem trabalhos inteiros sem precisar lê-los, adquirir conhecimento a respeito.

Estamos diante de uma nova geração que cresceu na frente da internet e que domina os recursos do computador mais que os adultos, mais que os próprios professores. Adquiriram um código diferente do nosso, vivem um novo tempo, diferente da geração que foi fruto de outras ferramentas, como da enciclopédia, da biblioteca.

A internet facilita o ensino, mas pode, também, servir de obstáculo para o aprendizado, quando o aluno simplesmente copia o texto, cola em outra página, imprime e o trabalho está pronto para ser entregue ao professor. O computador é o amigo CDF – como ele fala – que resolve tudo.

O aluno, de um modo geral, não pesquisa, não analisa, apenas copia. Dificilmente ele lê, buscando entender o texto. Essa é uma geração que não aprendeu a freqüentar a biblioteca, uma geração que lê muito pouco ou não lê nada. Em média, usam a internet por mais de duas horas diárias. Nas férias, chegam a passar a madrugada no computador.

São crianças distanciadas da presença freqüente dos pais, criadas sem limites, dedicando-se a fazer só o que gostam. Utilizam-se de um vocabulário restrito, com erros de ortografia, concordância, pontuação. Têm preguiça de escrever, escreve tudo abreviado: vc, pq, ok, tá...

Os truques utilizados para resolver rapidamente o problema avolumam-se: “internet de banda larga”, “áudio e webcam”, “messenger”, quando o aluno se utiliza de colegas de séries mais avançadas, organizando uma lista dos melhores alunos da lista do msn (messenger)

Uma pesquisa, feita com alunos de 5.ª a 8.ª série, revelou que poucos, muito poucos, se interessam, realmente, em aprender o conteúdo a ser pesquisado. Reproduzem o texto, não confrontam a informação, sendo que, muitas vezes, o professor recebe trabalhos iguais.

Sabemos que o computador veio para ficar, é um instrumento educacional de alta valia. Esses alunos são frutos da geração digital, de uma nova época. Não se quer, nem se pode afastá-lo desse recurso valioso para a aprendizagem. Mas, tem que haver, por parte dos pais e por parte dos professores, acompanhamento e controle da situação. Deixar a pesquisa ao bel-prazer do adolescente é conduzi-lo ao caminho do despreparo, especialmente no desenvolvimento do espírito crítico, na aquisição do conhecimento, com uma escrita empobrecida, de frases desconexas, sentido entrecortado e um baixo nível ortográfico.

A comunicação entre os alunos torna-se cada vez mais difícil. Emprega-se displicentemente o idioma. Fala-se por sinais, por palavras truncadas. As abreviações tornam-se emblema dessa geração.

A escola precisa checar a pesquisa aluno por aluno. Elaborar, para ser respondidas em sala de aula, questões para a interpretação de texto, redações sobre os assuntos pesquisados, com meditação e correção gramatical. Um outro recurso é fazer o aluno trazer a pesquisa feita em casa pela internet e construir, com ele, o texto em sala de aula, ajudando-o a analisá-lo, a produzir em cima dele. O aluno pode avançar e muito com a ajuda do computador. Afinal, ele vive um novo mundo. O que ele precisa é ser observado mais de perto, ter um acompanhamento interessado e pedagógico por parte do professor, aperfeiçoando e enriquecendo o conhecimento.

 

Prof. Izabel GrispinoIzabel Sadalla Grispino nasceu na cidade de Guariba/SP. Fez seus primeiros estudos em sua terra natal e posteriormente (cursando o antigo Clássico), na cidade de Jaboticabal/SP. Em 1948, transferiu-se para a cidade de São Paulo, onde terminou, em Colégio Estadual, o curso iniciado em Jaboticabal. Em 1950, ingressou na antiga e tradicional Faculdade de Filosófica, Ciências e Letras, da Rua Maria Antonia, unidade pertencente à USP, licenciando-se, no ano de 1953, em Letras Neolatinas, dedicando-se, a partir daí, inteiramente ao setor educacional. No magistério, exerceu os cargos de Professora Secundária, lecionando português e francês, Diretora de Escola e Supervisora de Ensino, além de professora universitária.

Site: http://www.izabelsadallagrispino.com.br/

 

 

 

 

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