Gilberto Freyre


"O saber deve ser como um rio, cujas águas doces, grossas, copiosas, transbordem do indivíduo, e se espraiem, estancando a sede dos outros. Sem um fim social, o saber será a maior das futilidades."

 

GilbertoGilberto Freyre (1900-1987) – Pernambucano do Recife - Escritor, sociólogo, etnólogo, antropólogo, educador, jornalista, político, apaixonado pelo Brasil e pela cultura luso-tropical, desmontou teses pessimistas sobre a capacidade empreendedora do homem brasileiro, exaltando a trilogia étnica – índio, branco e negro – sobre a qual se ergueu o País. Publicou mais de 50 livros, sobre todos os assuntos pertinentes à cultura nacional. Foi o escritor brasileiro que recebeu as maiores distinções, o maior reconhecimento de universidades e instituições brasileiras e estrangeiras. Deixou uma obra de grande importância a qual devemos valorizar, explorar, resgatar, reconhecer, compreender, exaltar.

As crianças e jovens precisam conhecer Gilberto Freyre assim como ler e contemplar sua obra. Cabe aos professores a tarefa de apresentar aos seus alunos de forma atraente a personalidade e os livros. A exigência da leitura apenas não atingirá o objetivo de divulgar e agradar. Nada que é imposto e obrigatório agrada. O ato de ler bons livros não pode ser exigido e sim conquistado. A riqueza da obra de Freyre pode proporcionar uma viagem extraordinária no tempo e na cultura brasileira, transformando a escola em real espaço de aprendizagem.

A história de vida do escritor já rende um trabalho pedagógico intenso. Por incrível que pareça aos 08 anos de idade Gilberto era considerado pela a família como “retardado”, pois tinha uma grande dificuldade em ler e escrever. Todavia, se expressava muito bem desenhando. Só criou o hábito e o gosto pela leitura e escrita quando um professor teve a sensibilidade de elogiar e valorizar seus desenhos e partir deles para iniciar a alfabetização.

Quantas vezes os professores rotulam os alunos de incapazes por não seguirem o tempo previsto? Além de cada pessoa ter seu ritmo de aprendizagem não podemos esquecer que nem todos aprendem da mesma maneira. Exemplos de vida como a de Gilberto Freyre nos levam a perceber o quão importante é a tarefa do professor alfabetizador que pode tolher talentos ou aflorá-los, de acordo com o modo em que desenvolvem suas aulas.

Conhecer a biografia e a obra de grandes artistas brasileiros é fundamental desde cedo. Não adianta as vésperas do vestibular, apresentar aos jovens nossos mestres como mais um conteúdo. A idéia não é essa! Sugerimos integrar no cotidiano das aulas, como um amigo, um aliado, uma experiência. Aí os professores do primeiro ciclo do Ensino Fundamental vão indagar como fazê-lo, vão alegar a literatura extensa. Fácil responder! Basta usar a criatividade para apresentar às crianças além do que contêm no livro didático. As crianças são naturalmente curiosas, ávidas por novidades. Algumas estratégias costumam ser eficazes como:

  • Diariamente apresentar uma frase, propor que copiem na agenda, conversar sobre ela, interpretar através de uma conversa plural. Um dia uma frase divertida, outro dia otimista, ludicamente deixar que as crianças acreditem ser “a frase misteriosa”, “a frase secreta”, “a frase do futuro”... Nessa brincadeira pode-se começar a aula sempre com uma frase, colá-la no calendário para marcar o dia, e assim, facilmente introduzir frases de grandes autores brasileiros. Chegará o dia em que os alunos levarão suas próprias frases, terão sede de pesquisar frases interessantes, diferentes, polêmicas... Com isso até gostarão de elaborar suas próprias frases filosóficas.
  • Mostrar a foto do autor e propor uma pesquisa sobre sua biografia. Não aquela pesquisa morta em que depois é guardada e esquecida, usada apenas para uma nota, mas a pesquisa viva onde terão a chance de dialogar com o autor. Com todas as pesquisas em mãos pedir que cada aluno diga o que mais chamou sua atenção de tudo que descobriram. Criar um cartaz listando as descobertas e ilustrando com fotos e caricaturas. O professor pode, ainda, pesquisar junto na internet ou em livros previamente preparados para a aula. Havendo tempo suficiente ainda é possível criar jogos e brincadeiras usando o material pesquisado.
  • Apresentar uma grande obra de forma sintetizada através de dramatização ou teatro fantoches. Quem sabe um pequeno vídeo ou apresentação em Power Point.

GilbertoNo caso de Gilberto Freyre as possibilidades são inúmeras. Sua obra mais conhecida “Casa grande e senzala” foi lançada no formato de gibi (história em quadrinhos) em edição especial para crianças. Gilberto não escreveu somente livros, mas deixou poemas e artigos que podem, também, ser trabalhados em sala de aula. Ainda é possível explorar entrevistas e vídeos com o autor. Para aqueles que moram no nordeste uma opção ainda mais interessante é visitar a Fundação Gilberto Freyre. Localizada em Apipucos. A casa-museu reúne seu patrimônio cultural, seus bens e acervos, além de estimular a continuidade dos seus estudos e de suas idéias, através da compreensão e interpretação da realidade social brasileira.

Uma visita a Fundação Gilberto Freyre integra cultura, história, literatura e ecologia, através de atividades lúdicas e de curiosidades. Existe na fundação um programa especial de atendimento aos educadores.

É inegável que Gilberto Freyre ofereceu contribuições inestimáveis para a compreensão do Brasil. Sua obra retrata a identidade de nosso país e de nosso povo, fala da terra, da vida, dos animais, da casa, da moda, dos fatos do cotidiano. Para tal Freyre utilizou recursos diversos como: histórias infantis, receitas, livros de culinária, diários íntimos, cantigas e mitos e da cultura popular, sendo um revolucionário e como tal bastante polêmico.

Nas décadas de 30, 40 e 50 já trabalhava temas como ecologia, futebol, família, sexualidade, infância e cultura material.

Quisera conseguir atingir o íntimo dos professores ao ponto de estimulá-los a colocar em seus planejamentos um pouco que seja da imensa contribuição de Freyre para Sociedade. Muito falamos da importância de estimular e criar o hábito da leitura, criamos vários projetos no intuito de inserir a Literatura no cotidiano dos nossos alunos, enquanto isso percebo claramente que a grande maioria dos professores precisam tanto quanto de incentivo, de projetos e de estímulos para ler.

Nos dias de hoje acabamos lendo o que mais aparece na mídia, o que nos é imposto em faculdades ou no próprio trabalho. Acabamos caindo na tentação de ler o mais fácil, o mais ilustrado, o mais rápido... Com isso, se não somos animados e conhecer e re-conhecer bons autores, simplesmente os esquecemos em nossas aulas. Não falo aos especialistas em Ciências Sociais e Antropológicas, mas me dirijo ao público que acompanha o trabalho do PPD e busca em nosso site um apoio a sua prática pedagógica diária. Falo com os professores do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, aqueles que formam a base da educação. Aqueles que são os modelos de tantas crianças brasileiras.

Se em nossa profissão temos inúmeros obstáculos, problemas e desafios que tanto nos desanimam, não adianta ficarmos buscando culpados e com isso deixar a rotina mecânica dos livros adotados perseverar no erro. Quantos livros lemos por semana, por mês ou por ano? Quantos autores embasam nossa práxis pedagógica? Diria mais, quantos autores conhecemos a fundo? Quantos deles apresentamos às crianças?

Aqui não estou a julgar, mas a tentar mostrar que temos sim nossa grande parcela de culpa no fracasso da educação de nosso país. A partir do momento em que abraçamos o magistério como profissão temos o dever e a obrigação de fazer a nossa parte. Que vai além do que costumamos fazer...

Como Gilberto Freyre inovou para mostrar-nos suas idéias podemos nós aproveitar seu entusiasmo e inovar também lançando mão de suas obras, puramente patriotas, vividas e apaixonadas.

Lanço aqui um desafio aos professores para que trabalhem Gilberto Freyre e nos envie depois, por e-mail, o resultado. Aqueles que sentirem-se tocados por este meu apelo serão publicados no site para, quiçá, estimular outros profissionais.

Os resultados sendo positivos podemos abrir o leque de possibilidades e buscar outros autores brasileiros para enriquecer nossas aulas. Façamos o seguinte: comprometo-me a estudar, pesquisar e oferecer no site subsídios para suas aulas e você que é professor tentará, igualmente fazê-lo, adicionando grandes mestres de nossa Literatura, um a um, na sua prática pedagógica, apresentando-os aos alunos como aliados no processo ensino-aprendizagem. Juntos, reconheceremos nosso país e nosso povo, com criatividade, com sensibilidade e vontade não só de ensinar, mas de aprender junto, de viver a educação, de reinventar a escola e torná-la um capítulo de orgulho a nossa gente e a nossa cultura.

Gilberto

 

Para saber mais recomendamos:

  • Site da fundação Gilberto Freyre - Onde é possível encontrar link para a Biblioteca Virtual que reúne acervo pessoal, livros, artigos, teses e dissertações, fotos e vídeos. Além dos contatos (telefones e e-mails) para agendar visitas pedagógicas. http://www.fgf.org.br/

  • Vale a pena conferir a coleção Aprender Brincando que foi criada pelo Escritor Mário Souto Maior com a finalidade de plantar na mente das crianças, com linguagem acessível à idade, informações sobre a vida de brasileiros ilustres que, nas artes e nas letras, elevaram o nome de nossa pátria.

  • Um menino chamado Gilberto Freyre” número 1 da coleção - pegue aqui o arquivo em PDF e imprima para você e seus alunos. Atenção: Imprimir as páginas ímpares, virar o papel e imprimir as pares. Clique aqui para fazer download.

 

 

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