Educação sexual


*Paty Fonte

A orientação sexual nas escolas contribui para a construção de cidadãos(ãs) conscientes, responsáveis e solidários(as) na construção de um mundo melhor.

SexualidadeDe acordo com a Organização Mundial de Saúde, a sexualidade é uma energia que influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental.

Sabe - se que a educação sexual não é estudada e nem trabalhada como deveria ser nas escolas, isto se deve a falta de formação dos professores e muitas vezes timidez dos mesmos e dos alunos. Muitas famílias também não contribuem para o enriquecimento deste tema porque acham que seus filhos devem ser preservados, por pudor, tabu.

O ambiente escolar é o mais adequado para que crianças e jovens aprendam como lidar com a sexualidade, evitando assim muitos transtornos futuros.

Nas escolas ainda existem tabus e preconceitos contra assuntos ligados à sexualidade. A resistência aparece na alegação de falta de espaço, falta de material didático, falta de cursos de capacitação e receio dos pais que às vezes se opõe a este tipo de informação para seus filhos.

É necessário e urgente que a escola e os educadores pensem e repensem na formação do cidadão consciente e responsável pelos seus atos.

Hoje, sabemos que os sentimentos e os comportamentos eróticos têm início com o nascimento da criança e sofrem uma definida sequência de desenvolvimento, como todas as outras funções humanas. A criança começa a fazer descobertas, a reconhecer sua identidade corporal: o bebê toca o bracinho, o pezinho, a genitália... Quando isso acontece, a mãe, de forma consciente ou não, recrimina a ação da criança e cria uma imagem negativa na mente de seu filho. As brincadeiras ou jogos amorosos infantis fazem parte da vida da maioria das crianças; é a brincadeira de médico, a de papai e mamãe, entre outras. Mais recentemente, a televisão tem tido enorme influência nessas brincadeiras. As crianças reproduzem até diálogos e atitudes das novelas, muitas vezes sem entender quase nada do que estão falando ou fazendo.

A escola é o espaço mais adequado para ministrar este ensino, porque reúne diariamente um grande número de crianças e jovens com interação afetiva já estabelecida, o que facilita o desenvolvimento do trabalho e sua continuidade.

É essencial entender as verdadeiras curiosidades e preocupações das crianças e jovens sobre sexualidade.

A educação sexual deve ser tratada de maneira clara sem falsos pudores, para que nossas crianças e jovens possam refletir não só sobre sua sexualidade, mas também sobre sua saúde. Não podemos deixar que eles padeçam por negligências e desinformações, minguando na irresponsabilidade de não poderem lidar com sua própria sexualidade de forma natural e com liberdade.

É certo que a orientação sexual dada na hora certa e de maneira certa influenciará na aprendizagem e até mesmo na formação da personalidade do educando.

Ao tratar do tema orientação sexual, buscamos considerar a sexualidade como algo inerente à vida e à saúde, que se expressa desde cedo no ser humano. Engloba o papel social do homem e da mulher, o respeito por si e pelo outro, as discriminações e os estereótipos atribuídos e vivenciados em seus relacionamentos, o avanço da AIDS e da gravidez indesejada na adolescência, entre outros, que são problemas atuais e preocupantes.

Cabe ao educador, garantir um ambiente de bem-estar, de companheirismo, de respeito, permitindo a criança ou ao adolescente lidar com sua sexualidade dom responsabilidade e sem culpas ou preconceitos, através do processo reflexivo e da análise.

O trabalho de orientação sexual deverá, portanto, se dar de duas formas: dentro de uma programação e sempre que surgirem questionamentos a esse respeito.

Os PCNs nos informa a este respeito:

“Muitas vezes o professor encontrará uma excelente oportunidade para desenvolver um trabalho, porque a sexualidade provoca nas crianças uma grande variedade de sentimentos, sensações, dúvidas etc. Ou pode ser planejado com maior detalhamento, tendo como ponto de partida a montagem do programa feita por cada turma.” (1997, p.145)

É importante uma abordagem educativa da sexualidade como manifestação natural buscando transformá-la em situação de aprendizagem e crescimento. O educador também pode tomar alguns temas mais polêmicos, de interesse dos alunos e desenvolver um projeto para sanar suas dúvidas e curiosidades dos alunos, além de trazer aprendizagens significativas.

Quando iniciar?

A educação sexual deve ser iniciada o mais cedo possível, pelos adultos que convivem com a criança, a partir de um diálogo franco e num clima de confiança e respeito mútuo. Não há necessidade, nem seria adequado, determinar-se um espaço de tempo especial para esse começo. As crianças, pela observação das diferenças biológicas entre o homem e a mulher (genitálias externas, caracteres secundários), logo começam a formar sua identidade sexual. Um menino percebe que é biologicamente igual ao pai e diferente da mãe e da irmã dando início, desta forma, ao processo da construção da identidade cultural . O mesmo acontece com as meninas.

Diante da curiosidade infantil acerca de temas sexuais, algumas observações simples facilitam o processo de esclarecimento:

  • Encarar com naturalidade as perguntas feitas pela criança;
  • Respeitar a curiosidade infantil;
  • Responder aos questionamentos com segurança;
  • Deixar espaço aberto para outras perguntas (não responder mais do que foi perguntado);
  • Falar sempre a verdade;
  • Utilizar os termos corretos e adequados à idade da criança;
  • Reagir com naturalidade;
  • Não temer desconhecer a resposta (quando não souber, dizer que vai buscar a informação);
  • Não dar respostas prontas, mas ajudar a pensar.

Não se deve esquecer que a família e a escola devem estar unidas na tarefa; ambas têm responsabilidade quando se trata de orientação sexual e, portanto, devem estar articuladas na sua realização.

Referências:

  • BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Pluralidade Cultural/ :Orientação Sexual, 1ª a 4ª Série. Brasília, 1997.
  • GTPOS, ABIA, ECOS. Guia de orientação sexual. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1994.
  • GUIMARÃES, I. Educação sexual na escola. Mito e realidade. Campinas: Mercado de Letras, 1995.

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Paty FontePaty Fonte (Patricia Lopes da Fonte)

Educadora especialista em pedagogia de projetos, escritora, autora dos livros “Projetos Pedagógicos Dinâmicos: a paixão de educar e o desafio de inovar” e "Pedagogia de Projetos - Ano letivo sem mesmice", ambos publicados pela editora WAK; autora e tutora de cursos presenciais e on-line de educação continuada a docentes, coach, palestrante.

Idealizadora e diretora dos sites: www.projetospedagogicosdinamicos.com ewww.cursosppd.com.br

Twitter: @PatyFonte Blog: www.paixaodeeducar2.blogspot.com

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