A Lepra e o Laissez-Faire


Prof. Nelson Pascarelli Filho

A lepra e o Laissez-FaireExiste uma velha Lepra na educação que se instalou principalmente no Ensino Público. Ela foi e continuará disseminando-se através dos péssimos professores que não têm nenhum compromisso com a formação cultural, científica e ética dos alunos.
 
Essa lepra chama-se espontaneísmo. Que está travestida com o rótulo de sócio-construtivismo e ganhou enorme pestilência com o sistema de ciclos e promoção “automática”   
 
A lepra não mata, mas deforma lentamente sua vítima. Isso mesmo! Deformaram o sócio-construtivismo transformando-o num “laissez-faire[1]”. 
 
Abriu-se mão de planejar a ação docente e avaliar continuamente o aluno.
 
Abusou-se do ditado: “É caminhando que se constrói o caminho!” Apropriação equivocada de uma fraca licença poética que se incrustou na (des)prática anti-pedagógica!
 
Só os andarilhos fétidos, fracassados e dementes andam a esmo, sem um objetivo, esperando a morte chegar...
 
Péssimos educadores iniciam suas ”aulas” partindo de qualquer tema para chegar a lugar nenhum! E, assim, sem conteúdo o aluno não conseguirá a inserção num curso técnico que o capacitará a encontrar lugar no mercado de trabalho.
 
Como falar em cidadania sem emprego? Sem emprego passa-se fome e "um homem com fome não é um homem livre” (Stevenson)
  
O pior “gestor”  é aquele que fica trancado em sua sala, atrás de uma mesinha repleta de papéis,   alheio ao que se passa na escola, pois delegou tudo para seus assistentes e coordenadores, que sofrem imensa sobrecarga de trabalho. Estes “gestores” apenas delegam responsabilidades para seus assistentes, mas nunca acompanham as tarefas que delegaram. Eles  só aparecem para cobrar resultados, dar repreensões e colher méritos que não lhe pertencem! Assim é fácil dirigir uma escola!
 
Coitado do corpo discente que tem diretores que escondem atrás de uma mesa e professores que disseminam a lepra do espontaneísmo! 
 
Gestores educacionais competentes realizam planejamentos com a flexibilidade que permitirá aos docentes atingirem níveis de excelência em sua prática pedagógica.
 
Só é possível atingir um nível de excelência educacional questionando-se o que é uma educação significativa e exercendo uma gestão participativa.
 
Planejamentos coerentes viabilizam a articulação de conteúdos significativos  com bons livros didáticos permitindo ainda trazer o mundo para a sala de aula através da internet e outras mídias educacionais.
 
Um planejamento sério parte de uma avaliação diagnóstica e, a partir da tabulação dos objetivos alcançados deve-se, se necessário, replanejar.
 
O replanejamento fará os ajustes necessários para se obter o melhor desempenho dos  alunos.
 
O foco da prática pedagógica deverá sempre estar no aluno e não nos anseios, idiossincrasias e saudosismo de educadores acomodados e refratários às mudanças que a cyber-dromocracia impõe a todos.
 
É necessário realizar ao menos duas avaliações diagnósticas, uma no início do ano letivo e outra no começo do segundo semestre.
 
"Antes de começar, é preciso um plano, e depois de planejar, é preciso execução imediata." (Sêneca)
 
Saber onde se está, para depois escolher a estratégia adequada que permitirá alcançar os objetivos propostos pelo grupo docente, articulando-se com a missão da escola.
 
Se o termo “missão” soa por demais empresarial e incomoda aos educadores mais afetivos, podemos falar em diretrizes educacionais previstas na Constituição Federal.
 
Planejamentos inteligentes e viáveis fortalecem o grupo docente quando eles são praticados seriamente e feitos os ajustes necessários ao longo do ano letivo.
 
Quando a gestão é participativa incorporam-se ao planejamento experiências docentes bem sucedidas, portanto, o foco está no êxito da equipe e não nos erros, porém, é preciso conhecer os erros para não repeti-los da pior forma possível.
 
Diante de discrepâncias pedagógicas, o planejamento será decisivo para resolvê-las: planejamento é documento de referência.  
 
“Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”  (Paulo Freire)

Se educar-se implica em mediatizar com o mundo globalizado, essa mediatização não se dará com laissez-faire, mas com um planejamento eficaz que possibilitará ao aluno transitar entre o necessário caos criativo e a rotina necessária ao cenário escolar. Rotina que não engessará o aluno, mas o capacitará a seguir normas sociais.  

[1] Laissez-faire é parte da expressão em língua francesa "laissez faire, laissez aller, laissez passer", que significa literalmente "deixai fazer, deixai ir, deixai passar".

"O hábito torna suportáveis até as coisas assustadoras."  
(Esopo)

 

Prof. Nelson PascarelliAutoria Prof. Nelson Pascarelli Filho

Consultor Científico-Educacional. Conferencista. Escritor da FTD e Publit. 18 livros didáticos publicados e adotados em nível nacional.Pós-Graduado em Microbiologia, Pedagogia Hospitalar, Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica. Bacharel em Filosofia e Psicologia. Licenciado em Pedagogia, Biologia, Ciências e Matemática.

Autor e tutor de cursos PPD online – www.cursosppd.com.br

 

 

 

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