A educação musical nas escolas de educação básica - orientações para uma educação na rede pública


Márcia Victório

MusicaDo canto orfeônico amplamente divulgado por Villa-Lobos na década de 30, destacando o civismo e a disciplina como fundamentos educacionais à Lei 11.769 publicada no D.O.U. de 19 de agosto de 2008 instituindo a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas brasileiras, é inegável a importância da música na educação. Entretanto, diante do cenário promissor, surgem algumas dificuldades, dentre elas, professores qualificados e salas de música adequadas.

Escolas e professores necessitam estar perfeitamente harmonizados para que a educação musical possa cumprir ao propósito de ser mais uma linguagem acessível ao aluno no seu processo de expressão e comunicação de sentidos, ideias e sentimentos, mas, nem sempre isso acontece... Como então aproximar realidades e desejos?

Com relação ao professor, ressalta-se que ele deve ter uma prática musical constante seja ela erudita ou popular, deve entender os teóricos mais relevantes na atualidade, como Piaget, Vygotsky, Maturana, Wallon, assim como ter conhecimento das diversas correntes pedagógico-musicais, das quais destacam-se Dalcrozze, Sá Pereira, Orff, Willems, Shaffer, Paynter, Swanwick e Gainza. Ou seja, conjugar sua própria teoria e prática se apresenta como uma condição inerente a todo educador que se propõe a formar alunos críticos e criativos plenamente inseridos na sociedade em que vive.

Cabe ao professor, portanto, no uso de sua inventividade, tornar suas aulas dinâmicas e atrativas, a despeito por vezes, dos poucos recursos disponíveis. Fazer uso de instrumentos alternativos, por exemplo, faz parte de uma das estratégias de ensino, mas não deveria ser prática constante decorrente das más condições de ensino. Entretanto, são eles que possibilitam a criação de uma verdadeira orquestra, experimentação de sonoridades diversas, criação de temas musicais, arranjos, entre outras possibilidades musicais. Também o uso da voz e do corpo são possibilidades sonoras das mais ricas.

Considerando-se que a intenção musical é, na verdade, o principal objetivo de uma aula de música e com esse propósito, pode-se tirar partido de todo e qualquer som. Ressalta-se que o desafio de criar atrai naturalmente crianças e jovens, e que uma aula de música ativa, pautada na experimentação e na criação, apresenta-se como uma estratégia de ensino das mais envolventes.

Com relação à sala de música, as escolas deveriam estar prontas para atender as especificidades da disciplina quais sejam: salas acústicas, instrumentos musicais tradicionais, aparelhagem de som, para citar algumas. O que fazer então, quando a sala disponível é completamente desprovida de condições? Buscar soluções alternativas? Usar caixas de ovos como forração acústica? Usar um equipamento de som mesmo com baixa qualidade sonora? Uma solução seria promover visitas a espetáculos para que os alunos tenham a oportunidade de vivenciar sons de qualidade superior às proporcionadas pelo ambiente escolar.

Não se tem dúvidas de que um educador é um sonhador, mas não se deve esquecer que o contraponto formado por um professor preparado e uma sala de música adequada, ativa o interesse do aluno, expande a criatividade e, por conseqüência, chega muito mais perto dos objetivos de uma educação voltada para uma vida cidadã plena e abundante e, essa deve ser a meta.


Prof Márcia VictórioMárcia Victório - doutora em ciências da educação, mestre em música, psicóloga e arteterapeuta junguiana. Palestrante, conferencista e facilitadora de oficinas de música e de arteterapia em eventos nacionais e internacionais. Professora de Educação Musical no Colégio Pedro II – Unidade Tijuca I desde 1993. Ex-professora do curso de pós-graduação em arteterapia na Clínica POMAR/ISEPE. Há mais de 20 anos atuando na clínica arteterapeutica. Autora do livro ‘Impressões Sonoras – música em arteterapia’ (WAK editora, 2008) e do livro ‘O Bê-a-bá do Dó-ré-mi – Reflexões e Práticas sobre a educação musical em escolas de ensino básica’ (WAK editora, 2011). Membro fundador da Associação de Arteterapia do Rio de Janeiro e membro do Conselho de Honra da União Brasileira de Arteterapia.

Contato: marciavictorio@ig.com.br

 

 

 

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