Adequação emocional na escola


Paty Fonte

Pesquisa feita pela Universidade de Harvard mostra que inteligência emocional faz mais diferença do que tirar boas notas. Este é meu atual tema de pesquisa. A inteligência emocional é formada por um conjunto de competências relacionadas à capacidade de administrarmos de forma adequada às próprias emoções e, também, as alheias (das pessoas com as quais convivemos). Assim sendo, são trabalhados 5 eixos:

  • Consciência Emocional
  • Adequação Emocional
  • Autonomia Emocional
  • Habilidades socioemocionais
  • Habilidades para a vida e o bem-estar.

Todos estes aspectos contribuem para um desenvolvimento emocional sadio de crianças e adolescentes. Embora seja a família a principal responsável, aquela que exerce o papel imprescindível na educação emocional de crianças e jovens, algumas iniciativas em escolas têm sido realizadas com sucesso.

Tal capacidade de administração das emoções apropriadamente é o que chamamos Adequação Emocional.

Quando nos sentimos atacados, criticados, insultados, provocados, tendemos a reagir da mesma forma, o que gera conflitos e consequências imprevisíveis.

Infelizmente, é comum as crianças escutarem “conselhos” de seus familiares que incentivam a revidar agressões. Também ainda é corriqueiro ouvir gritos dos professores e a punição através de castigos.

Educar emocionalmente implica em fortalecer o indivíduo, resgatar valores, o senso de respeito, de solidariedade e responsabilidade. 

Adequação Emocional consiste em saber manter a tranquilidade antes de falar ou agir diante de uma situação que nos gera sentimentos negativos

“A ira tem múltiplas formas: raiva, cólera, rancor, ódio, fúria, indignação, ressentimento, ciúmes, inveja, desprezo, rejeição, receio, etc. Qualquer uma dessas formas de ira pode nos levar à violência, pois esta, nada mais é, do que a consequência da ira mal resolvida. Por esse motivo é que a adequação emocional deve ser trabalhada na família e na escola, já que é uma das melhores maneiras de se prevenir a violência.” (Bruna Alves)

A falta de tempo para se dedicar aos filhos e o receio de produzir crianças reprimidas está gerando uma quantidade muito grande de crianças mal educadas e emocionalmente menos aptas. Aceitar frustrações, opiniões contrárias, tolerando-as sem explodir ou se desesperar; perseverar para alcançar objetivos apesar de obstáculos e dificuldades - são sinais de que a pessoa é adequada emocionalmente.

A melhor maneira de tornar as pessoas mais inteligentes emocionalmente é começar a educá-las quando ainda são crianças.

“... embora as escolas declarem que preparam seus alunos pare a vida, a vida certamente não se limita apenas a raciocínios verbais e lógicos. As escolas devem favorecer o conhecimento de diversas disciplinas básicas; que encorajem seus alunos a utilizar esse conhecimento para resolver problemas e efetuar tarefas que estejam relacionadas com a vida na comunidade a que pertencem; e que favoreçam o desenvolvimento de combinações intelectuais individuais, a partir da avaliação regular do potencial de cada um.” (GARDNER, 1989) 

Gottman, propõe 5 passos para aqueles pais que ainda não são preparadores emocionais, para que se tornem:

  • Perceber as emoções das crianças e as suas próprias;
  • Reconhecer a emoção como uma oportunidade de intimidade e orientação;
  • Ouvir com empatia e legitimar os sentimentos da criança;
  • Ajudar as crianças a verbalizar as emoções;
  • Impor limites e ajudar a criança a encontrar soluções para seus problemas.

Dentro das escolas deve-se aproveitar a variedade de experiências e opiniões para desenvolver atividades em equipes, onde todos trabalham igualmente e precisam:  ouvir, argumentar e contra-argumentar, dividir responsabilidades e unirem-se para ter um resultado satisfatório.

A adequação emocional é fundamental na interação com outras pessoas e isso ocorre o tempo todo dentro das escolas. Para tanto, saber escutar, respeitar opiniões divergentes, não se precipitar, formular perguntas, aceitar silêncios, são ações condizentes com um clima emocionalmente equilibrado.

Não basta possuir um vasto conhecimento e ser culturalmente bem informado. É essencial que saibamos colocar em prática todo esse conhecimento, desenvolvendo-os harmonicamente, com senso moral, ético, de justiça, união e solidariedade – isto nos torna cidadãos no sentido pleno da palavra.

Sugestão de Dinâmica para alunos do Ensino Fundamental I e II

Vende-se
O objetivo da dinâmica é fazer um "anúncio pessoal" para tentar "vender" a alguém.
Desafie os alunos a descreverem as qualidades de uma pessoa do grupo, explicando o objetivo da atividade.
Pode-se propor a apresentação para a classe de várias maneiras:

  • Todos descrevem e anunciam a mesma pessoa.
  • Cada um descreve e anuncia um colega escolhido por sorteio.
  • Cada um faz o próprio anúncio.

Após a realização da atividade é fundamental refletir juntamente com a classe:
Como eu me senti? Estou satisfeito ou desconfortável para falar bem de mim? E dos outros? Fazemos isso com bastante frequência? Estou disposto a praticar esse lado da minha personalidade? Quando posso implementar esta atitude para com as pessoas ao meu redor?
Com esta dinâmica estará trabalhando: autoconhecimento, autoestima e comunicação -  pilares essenciais para desenvolver a inteligência emocional e a coesão do grupo.

Referências:

  • GARDNER. H.;Hatcb, T. Multiple intelligences go to school: educational implications of the theory of Multiple Intelligences. Educational Researcher, v.18, n.8. 1989. 
  • GOTTMAN, John. Inteligência Emocional e a Arte de Educar Nossos Filhos. Editora: Objetiva.
  • Bruna Alves - http://comoeuaprendo.blogspot.com.br

Leia também:

 


Vivemos uma grande crise educacional. Não há uma formação reflexiva,geralmente, não formamos seres pensantes, homens completos. É urgente um trabalho afetivo, pautado em desenvolver emoções e criticidade. Como oferecer às novas gerações oportunidades para desenvolver talentos para a ciência e a beleza, para a solidariedade e a harmonia? 

O curso visa discutir tais questões de forma poética e intensa. Um desafio aos docentes que pretendem realizar um trabalho verdadeiramente significativo.

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IE

 


Paty FontePaty Fonte (Patricia Lopes da Fonte)

Educadora especialista em pedagogia de projetos, escritora, autora do livro “Projetos Pedagógicos Dinâmicos: a paixão de educar e o desafio de inovar”, publicado pela editora wak; autora e tutora de cursos presenciais e on-line de educação continuada a docentes, coach, palestrante.

Idealizadora e diretora dos sites:
www.projetospedagogicosdinamicos.com e www.cursosppd.com.br

Twitter: @PatyFonte Blog: www.paixaodeeducar2.blogspot.com

 

 

 

 

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